Um filme, várias trilhas e caminhos

Fizemos um mini documentário para tentar contar um pouco de tudo o que aconteceu nessa primeira edição do Pedala Zezinho, em setembro de 2011. Não sabíamos bem o caminho, mas sabíamos que era preciso retratar as Oficinas Gratuitas durante três sábados, o debate no dia do Cinema de Bicicleta, depoimentos de voluntários e claro, as manobras e performances de bike dos zezinhos e zezinhas que pedalaram com a gente.

E são “apenas” duas trilhas: uma é a versão do Joey Ramone do grande sucesso do trompetista Louis Armstrong, What a Wonderful World. Atenção, não confundir com outra fera, o ciclista Lance Armstrong, que ganhou sete (isso mesmo, SETE) Tours de France consecutivos.

A segunda parte foi interpretada pelo nosso voluntário carioca Sebastião, que mandou muito bem Quando eu contar, do Zeca Pagodinho. Realmente, quando contamos muita gente não tem ideia do que aconteceu no Campo do Astro. Parafraseando o Zeca: “Quando eu filmar, Iaiá, você vai se pasmar”.

A trilha mostra bem a mistura que foi esse começo da jornada do Pedala Zezinho: mecânicos de bicicletas profissionais consertando simples bicicletas infantis; crianças do país do futebol caindo nas graças de outro esporte; o Capão dando opinião no internacional Dia Mundial Sem Carro… as ligações são várias.

As possibilidades são muitas. Dá para pensar nas trilhas que virão.

Só termina quando acaba.

A ideia era fazer um post sobre os três dias do Pedala Zezinho, colocar fotos e dessa maneira, contar tudo o que aconteceu, cronologicamente. Na ordem: primeiro dia das Oficinas de Bicicleta do Pedala Zezinho, sábado dia 10 de setembro; segundo dia das Oficinas, dia 17; no Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro, teve o Cinema de Bicicleta e para fechar, dia 24, o último dia das Oficinas. No último dia tiramos a foto abaixo. Dela, dá para falar de todo o Pedala Zezinho. Para não ser injusto com ninguém e para não ser muito extenso, os nomes e créditos ficam para outro post.

No último sábado das Oficinas, estávamos “mais bem preparados do que nunca”: falta de peças, voluntários que ainda não chegavam, estrutura para montar, mais e mais pessoas em fila, céu meio nublado e a chave do depósito tinha sumido. Ou seja, exatamente o mesmo cenário quase caótico do primeiro dia.

A diferença é que dessa vez, depois de: dois dias de Oficinas, um cine-debate sobre mobilidade com a comunidade, 140 bikes vistoriadas e metade consertadas, estávamos tranquilos. Sabíamos que as peças seriam garantidas pela Shimano, Caloi, Decathlon, Bicicletaria Nobre, Sr Mansur e por outros doadores.

Além disso, tínhamos nos preparado para ter uns 40 voluntários, sendo metade deles mecânicos, o que faz uma grande diferença.

Sem falar que a estrutura da Shimano já havia transformado desde o 2º sábado o Campo do Astro em uma “pista de provas com boxe profissional”.

Mesmo assim, era o terceiro dia das Oficinas com ameaça de chuva em que comeríamos um pouco de pó debaixo de um sol maravilhoso.

Ah….a chave acabou aparecendo…

Ao mesmo tempo, os Zezinhos, Zezinhas, talvez por saberem que era o último dia, ou em razão do cine-debate realizado na quinta, estavam duas vezes mais agitados que o normal (se é que isso seja possível…). Crianças menores de 10 anos que compareceram nos outros dois sábados chegaram antes de nós e ficaram por lá mais uma vez até anoitecer,quando colocávamos a última caixa de peças e ferramentas no carro.

Organizar as Oficinas e recreações em um Campo de futebol aberto cansa, dá muito trabalho, mas não dá para simplesmente colocar as crianças e jovens numa fila e deixá-los lá esperando a vez deles chegar. Pelo contrário…

Por isso armamos uma pista de corrida de bikes, um lugar para disputas de corridas “chamando no grau”, que é empinar a bike como nessa foto, futebol, pintura facial, roda de capoeira, uma banda de pagode e outra de rock, além do empréstimo de bicicletas.

Foi bonito de ver umas 50 bicicletas rodando anarquicamente por todos os lados do campinho. Talvez seja por isso que nessa foto não tivemos que tirar pelo menos 20 para conseguir colocar as crianças sentadas com a gente: estavam pedalando, se pintando, cantando, jogando bola etc.

Uma coisa que não aparece na foto é o Cinema de Bicicleta. A sala de projeção ficou bem composta. Gente de todas as idades (mas muito mais crianças, lógico) assistiram ao “O caminho das nuvens” e depois fizeram perguntas e reivindicações. Também ouviram ao relato da Soninha, do Ronaldo Huhm e do Marcos Lopes, o “Nenê”, contando como a bike havia mudado, participado ou salvado a vida de cada um deles. Foi inspirador até para quem não estava na platéia.

O Pedala Zezinho acabou, mas ainda não terminou. Ficaram pendências por causa do horário que estourou e do mau tempo -mas não há do que reclamar, só choveu no final do último dia, tá ótimo. Ainda vamos fazer a Bicicletada e o Bicicletário ainda mais bonito e com mais parceiros. Também vamos transformar o Pedala Zezinho em um evento anual.

Nas Oficinas, apareceram três irmãos que tem talento para serem mecânicos de bicicleta. No dia do debate um jovem morador deu exemplo falando que já tinha entrado em contato com a subprefeitura por causa de uma lombada eletrônica num trecho perigoso em que sempre acontece acidentes. Mais pessoas conheceram o Capão e a Casa do Zezinho.

Um grupo de amigos sonhou, discutiu, brigou, construiu e convidou todos a participarem e talvez, juntos, tenhamos até dado início a uma longa e bonita história.

Então valeu! E com certeza ficou uma bela foto!

Pedala que dá tempo!

Hoje é dia de Cinema de Bicicleta!
Se você quer vir mas não sabe como, veja abaixo como chegar de transporte público (já que hoje é o Dia Mundial Sem Carro)
O transporte até o Capão é um belo pinga-pinga, mas dá pra chegar só na baldeação. O segredo é chegar até a linha Esmeralda da CPTM. Se estiver de metrô, a integração com o trem acontece na linha Amarela, na estação Pinheiros. E para chegar na linha Amarela, tem que pegar a linha Verde até a estação Consolação, onde rola a transferência.
Na estãção Pinheiros, pegue o trem no sentido Grajaú, até a estação Santo Amaro. Na Santo Amaro, faça a baldeação pra linha Lilás do Metrô e pegue sentido terminal Capão Redondo.
Saindo do terminal Capão Redondo, vá até o ponto de ônibus na altura do número 4000 da Estrada de Itapecerica e pegue o 6049-10 em direção a Santo Amaro.
São 5 paradas até a Av. Candido Jose Xavier, que fica muito próxima ao Campo do Astro, na Rua Manoel Bordalo Pinheiro, onde acontece a sessão.

Clique aqui para ver no mapa melhores detalhes de como chegar!

Esperamos vocês (se possível, com a pipoca!)

Em breve, numa ciclovia perto de você

Nada melhor que um vídeo-convite para chamar o maior número de pessoas para o Cinema de Bicicleta, no dia 22 de Setembro e dar mais detalhes da nossa programação, inserida no Mês da Mobilidade.

Compartilhem! Esperamos todos por lá.

Shimano: a primeira patrocinadora do Pedala Zezinho!

Trabalhar com captação de recursos talvez seja uma das coisas na vida que mais exigem ceticismo, persistência e “muita conversa”. Desde secretárias mal humoradas, até suspensão de verbas anuais, a conta é simples: fazer cem ligações, (des)marcar dez reuniões e quem sabe, fechar uma parceria. Então, depois, uma conjuntura improvável faz com que os departamentos competentes se alinhem como luas ou planetas e a verba gire com ascendência durante meses. E normalmente, depois de mapas astrológicos, pedidos de amor e juras de ódio, nada impede o temido “Obrigado, seu projeto é muito legal, mas agora não. Ano que vem falamos novamente.” Poucas exceções contrariaram essa regra.

Aromeiazero, Casa do Zezinho e Shimano apresentam Pedala Zezinho

No entanto, hoje a exceção venceu a regra quando o Aromeiazero saiu de uma reunião chamando de boca cheia a Shimano de “primeira patrocinadora do Pedala Zezinho.”

Na reunião, foi tanta sinergia, que eles toparam fazer o que propomos (e que já esperávamos ouvir o velho conhecido “Obrigado, seu projeto é muito legal, mas agora não.”). Deram algumas sugestões sobre o tipo de peças e ferramentas e em alguns outros detalhes, mas deram também a sempre sonhada liberdade total na condução do projeto. Para fechar, descobrimos que o Ronaldo, um dos caras que mais entende de bike no país e que trabalha no departamento de serviços da Shimano, (vale lembrar: a primeira patrocinadora do Pedala Zezinho) cresceu no Capão, conhece muito bem a área e tem uma história de sucesso pela bike que é exemplar. Não podia ser melhor pessoa para liderar as Oficinas de Bicicleta do Pedala Zezinho dos dias 17 e 24 de setembro.

Pode ter muita coincidência no caminho e isso, claro, ajuda bastante. Mas na verdade, captação de recursos é ter um ótimo projeto, encontrar uma empresa séria, onde trabalham pessoas inteligentes que tratem todos com sinceridade e respeito e, principalmente, ACREDITEM no que se está propondo. Como a Shimano, que acreditou no Pedala Zezinho e no poder desse projeto em colocar mais bicicletas circulando em São Paulo, mais pessoas pedalando e no final quem ganha são todos!

Shimano, nós agradecemos em nome de centenas de (novos) bikers do Parque Santo Antônio pela parceria. E até os dias 17, 22 e 24 no Campo do Astro!