Zezinhos moem o Aromeiazero

O título do último post sobre o Pedala Zezinho de novembro começava com “Moemos os Zezinhos.” Uma brincadeira por termos levado uma turma de zezinhos para passar o dia no CDC Arena Radical com muito pedal, tombos de BMX, mecânica, abrindo e fechando com um passeio pelo Metrô e CPTM. Ufa, cansamos, moemos e sacudimos com os Zezinhos. E com a Karol, única zezinha participante e primeira dama do Pedala Zezinho.

E então eles fizeram um vídeo para agradecer. Clique na imagem abaixo para conferir.

Fala a verdade: depois desse vídeo, filmado, editado e produzido por eles mesmos e com depoimentos como esses, quem sai moído: nós do Aromeiazero ou os zezinhos?

Moemos os Zezinhos. E eles adoraram

Aconteceu neste sábado a primeira parte do segundo Pedala Zezinho. Parece confuso, mas é fácil de explicar: tivemos o primeiro Pedala Zezinho em Setembro, com três sábados de oficinas e um cinema com filme e debate no Dia mundial sem carro. Deu tudo certo, grande sucesso na comunidade, mas precisávamos atingir um público decisivo para revolucionar a presença da bike no Parque Santo Antonio, zona sul de São Paulo.  Para dar continuidade e envolver os jovens, programamos uma segunda etapa, divida em dois dias. Neste último sábado, dia 5 foi o primeiro dia. Dia 26 encerramos com mais um sábado de oficinas, desta vez na Casa do Zezinho. A ideia é envolver poucos jovens, mas bastante comprometidos. Fizemos duas apresentações com o Zezinhos e apresentamos nossas propostas, falamos dos benefícios de pedalar, procuramos entender melhor as necessidades e desejos deles, sempre convidando a todos para estarem presentes no dia 26 de novembro e se inscreverem para o sábado que passou.
Saímos da Casa do Zezinho às oito e meia da manhã. Dos 15 alunos que se inscreveram, 8 estavam presentes. Sábado de manhã é complicado na adolescência, todos sabemos. O combinado foi  irmos de metrô, trem e depois a pé até o Clube do Comunidade Arena Radical. No caminho deu para ver que seria um sábado bem diferente para eles: muitos ainda não tinham andado de metrô ou trem. Após a surpresa, eu e o Agenor, educador da CZ respondíamos várias perguntas curiosas dos novatos e mostramos todo o mapa da rede metroviária e as possibilidades de, nas estações marcadas com o verde, alugarem bicicletas por um preço baixo. Também se surpreenderam com a ciclovia do Rio Pinheiros e ouvi alguns combinando de dar um rolê por lá no feriado. Até o semáforo com contagem regressiva era novidade.
Chegamos ao CDC e fomos recebidos pelo Max Meirelles, fundador-presidente da Associação Esportiva SP X (que administra o local) e idealizador do Espaço, que luta há três anos para o CDC ser uma alternativa para a prática de esportes e desenvolvimento humano em São Paulo.

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 Numa verdadeira aula, Max fez uma viagem desde a pré história, passando pelos gregos até chegar ao nascimento do BMX nos Estados Unidos na década de 60, seu envolvimento com o esporte, a criação daquela pista e a importância de lutarmos por espaços como aquele no meio do monopólio do concreto paulistano.
Em seguida eles se surpreenderam com a pista e as inúmeras possibilidades do ciclismo. Aprenderam sobre velódromos, mtb, trial, cross country, flat land, freestyle e porque a prática do BMX (ou bicicross) fornece toda a base necessária para prática de todas as modalidades citadas: intenso condicionamento físico, análise de risco, equilíbrio, como derrubar um cara numa pista e a importante lição de cair e levantar. De novo e do novo.

“Como na vida, é importante saber cair da bike, levantar a poeira e começar tudo de novo.”
Max Meirelles.

Depois disso era hora de mexer nas bikes que eles usariam para pedalar naquele oásis. Em 10 minutos o cenário da sala de 30 metros quadrados era o seguinte: no centro, três rodas de meninos trocavam os pneus e regulavam freios. Em volta, o restante pedalava insanamente em círculos ou em volta de cones estrategicamente colocados. Todas as ferramentas profissionais foram emprestadas pela Shimano, além de apoiar a manutenção da pista. Era hora de ir para a pista. Reforçamos mais uma vez que é fundamental para segurança deles na pista (e fora dela) revisar a bike sempre antes de pedalar e como agir em  tombos: sempre parar para ajudar ou pedir ajuda e nunca andar sozinho naquelas rampas de dirt jump.

Foram mais de duas horas de pedal na pista de race, disputas de tempo, duplas e tombos e mais tombos. Moemos os Zezinhos e eles adoraram. Verdade que os maiores e mais pesados sentiam falta de uma bicicleta maior, mas também sujaram a calça jeans de barro e deram uma ralada no joelinho.
No fim o João Magalhães, da nossa parceira Shimano também deu uma aula sobre o aquecimento do mercado de bike, as possibilidades de 54 medalhas nas diferentes modalidades do ciclismo nas olimpíadas e as inúmeras oportunidades de trabalho que a formação como mecânico possibilitam. E reafirmou que iniciativas como aquela sempre terão o apoio dele e da Shimano.
Num bate papo fiz algumas perguntas e expliquei alguns próximos passos.
Todos se diziam genuinamente surpresos com a quantidade de possibilidades que se abriram naquele dia: o uso do metrô, do trem, da ciclovia e do CDC Arena Radical. Também gostaram muito de pedalar numa pista cheio de altos e baixos. Algo como pedalar e saltar por um lugar com as mesmas curvas, ladeiras e riscos do local em que eles moram, sempre todos rindo e muito felizes com tudo. Expliquei que vamos tentar doar umas bikes para eles, mas eles precisavam ajudar a gente a arrumar. O combinado que eles receberiam, já que os outros não foram, por não mostrarem tanto interesse assim.
Hora de acabar com os lanches da CZ que ainda restavam muquiados na minha mochila, tomar água, trocar de camiseta e encarar a volta. Deu para ver que a Oficina de cultura da bike, nosso projeto para o ano que vem tem que ter em sua agenda visitas constantes ao CDC.

Amanhã tem o segundo dia do #PedalaZezinho

A partir das dez da manhã estaremos no Campo do Astro para arrumar as bicicletas que aparecerem. E dessa vez vamos juntos com a Shimano, patrocinadora oficial do Pedala Zezinho. A equipe da Shimano vai levar estrutura, mecânicos e ferramentas profissionais. Com tudo isso somado aos nossos voluntários, vamos deixar ainda mais bikes tinindo.

Shimano: a primeira patrocinadora do Pedala Zezinho!

Trabalhar com captação de recursos talvez seja uma das coisas na vida que mais exigem ceticismo, persistência e “muita conversa”. Desde secretárias mal humoradas, até suspensão de verbas anuais, a conta é simples: fazer cem ligações, (des)marcar dez reuniões e quem sabe, fechar uma parceria. Então, depois, uma conjuntura improvável faz com que os departamentos competentes se alinhem como luas ou planetas e a verba gire com ascendência durante meses. E normalmente, depois de mapas astrológicos, pedidos de amor e juras de ódio, nada impede o temido “Obrigado, seu projeto é muito legal, mas agora não. Ano que vem falamos novamente.” Poucas exceções contrariaram essa regra.

Aromeiazero, Casa do Zezinho e Shimano apresentam Pedala Zezinho

No entanto, hoje a exceção venceu a regra quando o Aromeiazero saiu de uma reunião chamando de boca cheia a Shimano de “primeira patrocinadora do Pedala Zezinho.”

Na reunião, foi tanta sinergia, que eles toparam fazer o que propomos (e que já esperávamos ouvir o velho conhecido “Obrigado, seu projeto é muito legal, mas agora não.”). Deram algumas sugestões sobre o tipo de peças e ferramentas e em alguns outros detalhes, mas deram também a sempre sonhada liberdade total na condução do projeto. Para fechar, descobrimos que o Ronaldo, um dos caras que mais entende de bike no país e que trabalha no departamento de serviços da Shimano, (vale lembrar: a primeira patrocinadora do Pedala Zezinho) cresceu no Capão, conhece muito bem a área e tem uma história de sucesso pela bike que é exemplar. Não podia ser melhor pessoa para liderar as Oficinas de Bicicleta do Pedala Zezinho dos dias 17 e 24 de setembro.

Pode ter muita coincidência no caminho e isso, claro, ajuda bastante. Mas na verdade, captação de recursos é ter um ótimo projeto, encontrar uma empresa séria, onde trabalham pessoas inteligentes que tratem todos com sinceridade e respeito e, principalmente, ACREDITEM no que se está propondo. Como a Shimano, que acreditou no Pedala Zezinho e no poder desse projeto em colocar mais bicicletas circulando em São Paulo, mais pessoas pedalando e no final quem ganha são todos!

Shimano, nós agradecemos em nome de centenas de (novos) bikers do Parque Santo Antônio pela parceria. E até os dias 17, 22 e 24 no Campo do Astro!