Aconteceu neste sábado a primeira parte do segundo Pedala Zezinho. Parece confuso, mas é fácil de explicar: tivemos o primeiro Pedala Zezinho em Setembro, com três sábados de oficinas e um cinema com filme e debate no Dia mundial sem carro. Deu tudo certo, grande sucesso na comunidade, mas precisávamos atingir um público decisivo para revolucionar a presença da bike no Parque Santo Antonio, zona sul de São Paulo. Para dar continuidade e envolver os jovens, programamos uma segunda etapa, divida em dois dias. Neste último sábado, dia 5 foi o primeiro dia. Dia 26 encerramos com mais um sábado de oficinas, desta vez na Casa do Zezinho. A ideia é envolver poucos jovens, mas bastante comprometidos. Fizemos duas apresentações com o Zezinhos e apresentamos nossas propostas, falamos dos benefícios de pedalar, procuramos entender melhor as necessidades e desejos deles, sempre convidando a todos para estarem presentes no dia 26 de novembro e se inscreverem para o sábado que passou.
Saímos da Casa do Zezinho às oito e meia da manhã. Dos 15 alunos que se inscreveram, 8 estavam presentes. Sábado de manhã é complicado na adolescência, todos sabemos. O combinado foi irmos de metrô, trem e depois a pé até o
Clube do Comunidade Arena Radical. No caminho deu para ver que seria um sábado bem diferente para eles: muitos ainda não tinham andado de metrô ou trem. Após a surpresa, eu e o Agenor, educador da CZ respondíamos várias perguntas curiosas dos novatos e mostramos todo o mapa da rede metroviária e as possibilidades de, nas estações marcadas com o verde, alugarem bicicletas por um preço baixo. Também se surpreenderam com a ciclovia do Rio Pinheiros e ouvi alguns combinando de dar um rolê por lá no feriado. Até o semáforo com contagem regressiva era novidade.
Chegamos ao CDC e fomos recebidos pelo Max Meirelles, fundador-presidente da
Associação Esportiva SP X (que administra o local) e idealizador do Espaço, que luta há três anos para o CDC ser uma alternativa para a prática de esportes e desenvolvimento humano em São Paulo.
Este slideshow necessita de JavaScript.
Numa verdadeira aula, Max fez uma viagem desde a pré história, passando pelos gregos até chegar ao nascimento do BMX nos Estados Unidos na década de 60, seu envolvimento com o esporte, a criação daquela pista e a importância de lutarmos por espaços como aquele no meio do monopólio do concreto paulistano.
Em seguida eles se surpreenderam com a pista e as inúmeras possibilidades do ciclismo. Aprenderam sobre velódromos, mtb, trial, cross country, flat land, freestyle e porque a prática do BMX (ou bicicross) fornece toda a base necessária para prática de todas as modalidades citadas: intenso condicionamento físico, análise de risco, equilíbrio, como derrubar um cara numa pista e a importante lição de cair e levantar. De novo e do novo.

“Como na vida, é importante saber cair da bike, levantar a poeira e começar tudo de novo.”
Max Meirelles.
Depois disso era hora de mexer nas bikes que eles usariam para pedalar naquele oásis. Em 10 minutos o cenário da sala de 30 metros quadrados era o seguinte: no centro, três rodas de meninos trocavam os pneus e regulavam freios. Em volta, o restante pedalava insanamente em círculos ou em volta de cones estrategicamente colocados. Todas as ferramentas profissionais foram emprestadas pela Shimano, além de apoiar a manutenção da pista. Era hora de ir para a pista. Reforçamos mais uma vez que é fundamental para segurança deles na pista (e fora dela) revisar a bike sempre antes de pedalar e como agir em tombos: sempre parar para ajudar ou pedir ajuda e nunca andar sozinho naquelas rampas de dirt jump.
Foram mais de duas horas de pedal na pista de race, disputas de tempo, duplas e tombos e mais tombos. Moemos os Zezinhos e eles adoraram. Verdade que os maiores e mais pesados sentiam falta de uma bicicleta maior, mas também sujaram a calça jeans de barro e deram uma ralada no joelinho.
No fim o João Magalhães, da nossa parceira Shimano também deu uma aula sobre o aquecimento do mercado de bike, as possibilidades de 54 medalhas nas diferentes modalidades do ciclismo nas olimpíadas e as inúmeras oportunidades de trabalho que a formação como mecânico possibilitam. E reafirmou que iniciativas como aquela sempre terão o apoio dele e da Shimano.
Num bate papo fiz algumas perguntas e expliquei alguns próximos passos.
Todos se diziam genuinamente surpresos com a quantidade de possibilidades que se abriram naquele dia: o uso do metrô, do trem, da ciclovia e do CDC Arena Radical. Também gostaram muito de pedalar numa pista cheio de altos e baixos. Algo como pedalar e saltar por um lugar com as mesmas curvas, ladeiras e riscos do local em que eles moram, sempre todos rindo e muito felizes com tudo. Expliquei que vamos tentar doar umas bikes para eles, mas eles precisavam ajudar a gente a arrumar. O combinado que eles receberiam, já que os outros não foram, por não mostrarem tanto interesse assim.
Hora de acabar com os lanches da CZ que ainda restavam muquiados na minha mochila, tomar água, trocar de camiseta e encarar a volta. Deu para ver que a Oficina de cultura da bike, nosso projeto para o ano que vem tem que ter em sua agenda visitas constantes ao CDC.
Gostar disso:
Seja o primeiro a gostar disso post.