Só termina quando acaba.

A ideia era fazer um post sobre os três dias do Pedala Zezinho, colocar fotos e dessa maneira, contar tudo o que aconteceu, cronologicamente. Na ordem: primeiro dia das Oficinas de Bicicleta do Pedala Zezinho, sábado dia 10 de setembro; segundo dia das Oficinas, dia 17; no Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro, teve o Cinema de Bicicleta e para fechar, dia 24, o último dia das Oficinas. No último dia tiramos a foto abaixo. Dela, dá para falar de todo o Pedala Zezinho. Para não ser injusto com ninguém e para não ser muito extenso, os nomes e créditos ficam para outro post.

No último sábado das Oficinas, estávamos “mais bem preparados do que nunca”: falta de peças, voluntários que ainda não chegavam, estrutura para montar, mais e mais pessoas em fila, céu meio nublado e a chave do depósito tinha sumido. Ou seja, exatamente o mesmo cenário quase caótico do primeiro dia.

A diferença é que dessa vez, depois de: dois dias de Oficinas, um cine-debate sobre mobilidade com a comunidade, 140 bikes vistoriadas e metade consertadas, estávamos tranquilos. Sabíamos que as peças seriam garantidas pela Shimano, Caloi, Decathlon, Bicicletaria Nobre, Sr Mansur e por outros doadores.

Além disso, tínhamos nos preparado para ter uns 40 voluntários, sendo metade deles mecânicos, o que faz uma grande diferença.

Sem falar que a estrutura da Shimano já havia transformado desde o 2º sábado o Campo do Astro em uma “pista de provas com boxe profissional”.

Mesmo assim, era o terceiro dia das Oficinas com ameaça de chuva em que comeríamos um pouco de pó debaixo de um sol maravilhoso.

Ah….a chave acabou aparecendo…

Ao mesmo tempo, os Zezinhos, Zezinhas, talvez por saberem que era o último dia, ou em razão do cine-debate realizado na quinta, estavam duas vezes mais agitados que o normal (se é que isso seja possível…). Crianças menores de 10 anos que compareceram nos outros dois sábados chegaram antes de nós e ficaram por lá mais uma vez até anoitecer,quando colocávamos a última caixa de peças e ferramentas no carro.

Organizar as Oficinas e recreações em um Campo de futebol aberto cansa, dá muito trabalho, mas não dá para simplesmente colocar as crianças e jovens numa fila e deixá-los lá esperando a vez deles chegar. Pelo contrário…

Por isso armamos uma pista de corrida de bikes, um lugar para disputas de corridas “chamando no grau”, que é empinar a bike como nessa foto, futebol, pintura facial, roda de capoeira, uma banda de pagode e outra de rock, além do empréstimo de bicicletas.

Foi bonito de ver umas 50 bicicletas rodando anarquicamente por todos os lados do campinho. Talvez seja por isso que nessa foto não tivemos que tirar pelo menos 20 para conseguir colocar as crianças sentadas com a gente: estavam pedalando, se pintando, cantando, jogando bola etc.

Uma coisa que não aparece na foto é o Cinema de Bicicleta. A sala de projeção ficou bem composta. Gente de todas as idades (mas muito mais crianças, lógico) assistiram ao “O caminho das nuvens” e depois fizeram perguntas e reivindicações. Também ouviram ao relato da Soninha, do Ronaldo Huhm e do Marcos Lopes, o “Nenê”, contando como a bike havia mudado, participado ou salvado a vida de cada um deles. Foi inspirador até para quem não estava na platéia.

O Pedala Zezinho acabou, mas ainda não terminou. Ficaram pendências por causa do horário que estourou e do mau tempo -mas não há do que reclamar, só choveu no final do último dia, tá ótimo. Ainda vamos fazer a Bicicletada e o Bicicletário ainda mais bonito e com mais parceiros. Também vamos transformar o Pedala Zezinho em um evento anual.

Nas Oficinas, apareceram três irmãos que tem talento para serem mecânicos de bicicleta. No dia do debate um jovem morador deu exemplo falando que já tinha entrado em contato com a subprefeitura por causa de uma lombada eletrônica num trecho perigoso em que sempre acontece acidentes. Mais pessoas conheceram o Capão e a Casa do Zezinho.

Um grupo de amigos sonhou, discutiu, brigou, construiu e convidou todos a participarem e talvez, juntos, tenhamos até dado início a uma longa e bonita história.

Então valeu! E com certeza ficou uma bela foto!

Shimano: a primeira patrocinadora do Pedala Zezinho!

Trabalhar com captação de recursos talvez seja uma das coisas na vida que mais exigem ceticismo, persistência e “muita conversa”. Desde secretárias mal humoradas, até suspensão de verbas anuais, a conta é simples: fazer cem ligações, (des)marcar dez reuniões e quem sabe, fechar uma parceria. Então, depois, uma conjuntura improvável faz com que os departamentos competentes se alinhem como luas ou planetas e a verba gire com ascendência durante meses. E normalmente, depois de mapas astrológicos, pedidos de amor e juras de ódio, nada impede o temido “Obrigado, seu projeto é muito legal, mas agora não. Ano que vem falamos novamente.” Poucas exceções contrariaram essa regra.

Aromeiazero, Casa do Zezinho e Shimano apresentam Pedala Zezinho

No entanto, hoje a exceção venceu a regra quando o Aromeiazero saiu de uma reunião chamando de boca cheia a Shimano de “primeira patrocinadora do Pedala Zezinho.”

Na reunião, foi tanta sinergia, que eles toparam fazer o que propomos (e que já esperávamos ouvir o velho conhecido “Obrigado, seu projeto é muito legal, mas agora não.”). Deram algumas sugestões sobre o tipo de peças e ferramentas e em alguns outros detalhes, mas deram também a sempre sonhada liberdade total na condução do projeto. Para fechar, descobrimos que o Ronaldo, um dos caras que mais entende de bike no país e que trabalha no departamento de serviços da Shimano, (vale lembrar: a primeira patrocinadora do Pedala Zezinho) cresceu no Capão, conhece muito bem a área e tem uma história de sucesso pela bike que é exemplar. Não podia ser melhor pessoa para liderar as Oficinas de Bicicleta do Pedala Zezinho dos dias 17 e 24 de setembro.

Pode ter muita coincidência no caminho e isso, claro, ajuda bastante. Mas na verdade, captação de recursos é ter um ótimo projeto, encontrar uma empresa séria, onde trabalham pessoas inteligentes que tratem todos com sinceridade e respeito e, principalmente, ACREDITEM no que se está propondo. Como a Shimano, que acreditou no Pedala Zezinho e no poder desse projeto em colocar mais bicicletas circulando em São Paulo, mais pessoas pedalando e no final quem ganha são todos!

Shimano, nós agradecemos em nome de centenas de (novos) bikers do Parque Santo Antônio pela parceria. E até os dias 17, 22 e 24 no Campo do Astro!

Tiramos as rodinhas

Sábado estava um dia lindo em São Paulo. Ótimo para pedalar. Melhor ainda para lançar o nosso primeiro projeto, o Pedala Zezinho.

Casa do Zezinho

Casa do Zezinho

O pontapé, quer dizer, a pedalada inicial ocorreu durante o “Zezinhos Causando na Net” que também marcou o lançamento de outro projeto tocado pela Casa do Zezinho. Eles lançaram a Agência Z21, voltada para comunicação digital, feita pelos próprios Zezinhos. Melhor segurar um pouco a empolgação com tanta coisa legal que esta ONG faz e voltar a falar do lançamento do Pedala Zezinho.

Foto do Guilherme Gomes, educador de foto da Revista ZZine.

Foto do Guilherme Gomes, educador de fotografia da Revista ZZine.

Mas é impossível falar dessa primeira aparição da BICICLETA na Casa sem falar do ZZine, um projeto tocado lindamente por amigos do Aromeiazero. Contando bem rápido como funciona essa nossa fonte de inspiração: através de uma oficina de jornalismo, feita para produzir uma revista, alguns dos 1,2 mil zezinhos da Casa conheceram um novo mundo.  (Dá para ver um ótimo making of da primeira edição no youtube).

A apresentação foi no tom de bate-papo. Muito do que pensamos em fazer com o Pedala Zezinho é para entender melhor a realidade de quem pedala na periferia de grandes cidades. Pouco sabemos sobre as necessidades, na prática.

Foi só perguntar para a sala cheia de gente: “Quem anda de bicicleta aqui?” Metade da sala levanta a mão. “Quem tem uma bicicleta com problema em casa parada?” Todo mundo tem, ninguém arruma, ninguém pedala.

Depois, demos uma volta pelo bairro com o Marcos Lopes “Nenê”, um zezinho veterano que abraçou a causa e vai estar no nossa debate, dia 22 de setembro. Já deu para sentir o quanto vamos ter trabalho daqui pra frente: um monte de bicicleta sem freio, pneu furado…

Sabemos que a saída não é só oferecer serviço gratuito de oficinas. Tem os bicicleteiros do bairro que também são um elo importante da corrente. Mas arrumar centenas de bicicletas em três sábados, promover um filme com debate sobre bike e fechar com chave de ouro dando mais que um rolê, dando uma bicicletada no Parque Santo Antonio, é uma primeira largada, um start que poderá abrir caminho para uma Oficina de Cultura de Bike, ano que vem.

mobilização

"Aí Tio, se eu trouxer um quadro de bike você pendura na parede também?"

Já temos peças, ferramentas e voluntários. Mas ainda precisamos de MAIS peças, MAIS ferramentas e MAIS voluntários. Fica o convite para ajudar, seja divulgando ou comparecendo nos dias 10, 17, 22 e 24 de Setembro, no Campinho do Astro, próximo ao metrô Capão Redondo.

Sabemos que não é só isso que falta no extremo sul da zona sul paulistana. Mas com uma agência digital, uma redação e bicicletas pela Casa, as fronteiras ficam para trás.

Córrego ao lado do Campo do Astro

"E aí governador, não parece Veneza?"

Para saber mais, acesse nosso site (aromeiazero.com), siga-nos no twitter (twitter.com/aromeiazero), dê um like no Facebook (facebook.com/aromeiazero) ou nos mande um e-mail: aromeiazero@gmail.com.

Esse é o Campo do Astro, que será invadido por Bikes, dias 10, 17, 22 e 24.

E se você tiver uma bike encostada, vamos reformá-la e doar para o primeiro bicicletário comunitário do Parque Santo Antonio. Também ficamos felizes se quiser vir pedalar com a gente num sábado de setembro.